quinta-feira, 15 de março de 2007

Mortos íntimos

Em um canto remoto, na Zona Oeste do Rio, trezentas famílias sem teto, com muita vontade de viver, resolveram dividir espaço com os mortos. Ergueram a Favela das Almas, ao lado de um cemitério. Prova de que na luta pela sobrevivência, nem alma-do-outro-mundo assusta.
A comunidade foi construída há 12 anos, bem ao lado do cemitério do Murundu. "Não tínhamos escolha. Pobre não tem este privilégio. O medo da escuridão e do silêncio da noite, a gente perde com o tempo", diz o presidente da Associação de Moradores, Ashton Jorge Damasceno.
Destemidos, eles já transitam calmamente pelas covas. Crianças pulam muros para soltar pipa ou brincar de esconde-esconde. E os adultos aproveitam o silêncio para dormir, meditar, reunir amigos e até namorar. “Mais esquecidos que os mortos, essa gente faz do cemitério uma área de lazer”, testemunha o funcionário do cemitério, Edson Braga. Leia mais

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