Antes, o texto de apresentação da exposição Nova York, cidade de vidro:
"Em minha última visita a Nova York, decidi registrar em imagens o que observara: as paredes térreas do espaço urbano em Manhatan estavam se tornando cada vez mais envidraçadas. Certamente para despertar o desejo contínuo de consumir, os produtos eram mais atraentes quando vistos no contexto fictício interno de suas lojas.
O vidro, não só o das vitrines, desempenha um papel urbano relevante ao permitir uma visibilidade maior destes ambientes. Percebe-se que os transeuntes passam a ter uma certa ilusão de pertencer ao mesmo lugar luxuoso e bem decorado dos manequins. As paredes de vidro deste espaço paralelo ao dos passantes também tomaram conta dos belíssimos restaurantes, dos bancos e dos grandes escritórios.
No entanto, a sensação que tive não foi a de ver mais nítida a realidade, mas a de uma transparência turva. A velocidade nas ruas, o entrelaçamento de tribos e etnias, ao lado das paredes de vidro, gera uma profusão de reflexos, num movimento incessante, entre pessoas e coisas, e uma multiplicação de imagens que faz surgir novos significados a cada segundo. Isso não ocorre apenas na cidade horizontal. As fachadas dos arranha-céus, também de vidro ou de espelho, se refletem mutuamente.
A troca de significados resultante dessa interação é tão intensa que eles acabam se misturando, se confundindo ou se anulando, fazendo com que se perca o discernimento entre o real e o não real e gerando uma aparente perda de identidade".
O vidro, não só o das vitrines, desempenha um papel urbano relevante ao permitir uma visibilidade maior destes ambientes. Percebe-se que os transeuntes passam a ter uma certa ilusão de pertencer ao mesmo lugar luxuoso e bem decorado dos manequins. As paredes de vidro deste espaço paralelo ao dos passantes também tomaram conta dos belíssimos restaurantes, dos bancos e dos grandes escritórios.
No entanto, a sensação que tive não foi a de ver mais nítida a realidade, mas a de uma transparência turva. A velocidade nas ruas, o entrelaçamento de tribos e etnias, ao lado das paredes de vidro, gera uma profusão de reflexos, num movimento incessante, entre pessoas e coisas, e uma multiplicação de imagens que faz surgir novos significados a cada segundo. Isso não ocorre apenas na cidade horizontal. As fachadas dos arranha-céus, também de vidro ou de espelho, se refletem mutuamente.
A troca de significados resultante dessa interação é tão intensa que eles acabam se misturando, se confundindo ou se anulando, fazendo com que se perca o discernimento entre o real e o não real e gerando uma aparente perda de identidade".



A primeira exposição contou com 35 fotos. Algumas delas estão no site Punctum. Para vê-las é só clicar no link: http://armandosalmito.web.br.com/punctum-foto/ensaios/new_york/index.html



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